carta de apresentação erros

A carta de apresentação é a ferramenta de candidatura que menos atenção tem por parte dos candidatos. Mas a noção de que basta pegar numa carta antiga, adaptar ou escrever “Junto envio o meu CV para vossa consideração” está errada.

Este “texto introdutório” ao CV é a altura ideal para mostrar que é o candidato que a empresa procura e estabelecer uma ligação emocional com o recrutador.

Escreva uma carta de apresentação cuidada, direccionada a cada empresa e evite estes erros:

1. Começar com o seu nome

“Boa tarde, Sou o Luís Santos e venho candidatar-me à vaga de Electricista Mecânico” Este é o tipo de início de carta de apresentação a evitar. A menos que seja bastante conhecido na sua indústria, o seu nome não é a informação mais valiosa que tem para oferecer ao recrutador. O seu nome deve constar no CV, assinatura/despedida da carta de apresentação e outras ferramentas de candidatura (portefólio, site pessoal…), pelo que não precisa de o colocar na frase inicial.

Em vez disso…

Utilize informação relevante sobre as suas qualificações/competências e ligue a sua experiência às necessidades da empresa. Um bom exemplo seria “Sou um electricista com mais de 10 anos de experiência em mecânica automóvel, o que pode ajudar a vossa empresa a reduzir o tempo que cada carro fica na oficina.”

 

2. Copiar as informações do Curriculum Vitae

Se a sua carta de apresentação é muito semelhante ao CV, está a cometer um erro grave. Ao escrever 2 vezes a mesma informação, faz com que o recrutador perca tempo e pode vir a ser rejeitado.

Em vez disso…

Dê exemplos do seu trabalho ou de projectos relevantes em que teve um papel decisivo para o sucesso da empresa. Mostre, também, que se integraria bem na cultura da empresa.

 

3. Não ser flexível com o formato da carta de apresentação

Por norma, a carta deve ter 3/4 parágrafos, seguindo uma ordem específica para transmitir toda a informação. Mas esta ferramenta de candidatura não deve ser estática.

Em vez disso…

Deve moldá-la a cada empresa e função, brincando com o formato, tipo de linguagem e informações prestadas. Pode utilizar texto corrido, bullet points, vídeo, imagens… Certifique-se, no entanto, de que o tipo de mensagem e estrutura fazem sentido e serão bem recebidas por profissionais da sua área.

 

4. Escrever um texto muito extenso

As empresas têm que analisar dezenas ou centenas de candidaturas para cada vaga e, por isso, precisam de ler cada CV e carta de apresentação rapidamente. Se a sua carta tiver mais de 7 parágrafos, é  provável que metade da informação não seja sequer lida.

Em vez disso…

Condense a informação e utilize somente os argumentos mais fortes para ser escolhido – 4 parágrafos devem ser suficientes. Lembre-se de que quer deixar o recrutador curioso para ler o CV e para a entrevista de emprego.

 

5. Dar demasiados detalhes

Vai mudar de carreira, emigrar ou esteve algum tempo sem trabalhar? Não precisa de explicar o porquê nesta fase. Deixe este pormenores para a entrevista de emprego.

Em vez disso…

Pense sempre na regra dos 10 segundos – se o recrutador só tiver 10 segundos para ler a carta de apresentação, o que é mais importante dizer? Pense na mensagem que quer passar e evite entrar em detalhes.

6. Focar-se na sua formação

A menos que seja um  recém-licenciado à procura do primeiro emprego, não deve basear a sua mensagem de apresentação na sua formação académica. O que realmente interessa às empresas é a sua experiência de trabalho e o tipo de desempenho que teria se começasse agora a trabalhar.

Em vez disso…

Foque-se na sua experiência profissional – este deve ser o argumento mais forte. Na carta de apresentação refira, sem entrar em grande detalhe, qual a formação que lhe deu competências para ser bem sucedido na posição, sem especificar disciplinas, trabalhos ou projectos que aí desenvolveu.

7. Partilhar informação irrelevante

Idade, condição financeira e hobbies são o tipo de informação que não deve constar na carta. Por exemplo, dizer “Estou desempregado e tenho 2 filhos, por isso preciso urgentemente de emprego” pode ter o efeito contrário ao esperado – em vez de o contratarem, vão rejeitá-lo automaticamente, porque está a demonstrar que não lhe interessa a empresa, apenas o dinheiro.

Os hobbies podem ser utilizados para o aproximar emocionalmente da empresa, mas só funcionam em casos muito específicos, como por exemplo “Achei bastante interessante a vaga para Responsável de Desporto. Jogo basketball desde os meus 13 anos e compreendo as necessidades dos jogadores, por isso sei que conseguiria ajudá-los a escolher o melhor equipamento.”

Em vez disso…

Pesquise sobre a empresa para ficar a conhecer os seus valores e missão e mostre como se revê neles. Na carta de apresentação só devem estar informações que o favoreçam (experiência de trabalho, formação e fit cultural).

 

Não perca a oportunidade de mostrar que é o candidato ideal. Escreva uma boa carta de apresentação e termine com um “call-to-action” a pedir para agendarem uma entrevista de emprego.

 

Fonte: The Daily Muse