Para António Raab, diretor-geral da Hilti, razões como ouvir os colaboradores e considerar a sua opinião, reconhecimento dos bons resultados através das distinções, oferecer o pequeno-almoço, aulas de ioga, flexibilidade horária, dar formação e seguro de saúde para o colaborador e a para a família (cônjuges e filhos), são o que levam a Hilti a ser eleita uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal.

A empresa foi eleita a terceira melhor para trabalhar em Portugal em 2017, segundo um ranking divulgado na revista Exame, que contou com as avaliações dos colaboradores da empresa.

O que mais motiva os colaboradores?

Há uns anos, a gestão de pessoas estava focada apenas na satisfação. No entanto, nos dias que correm, factores como motivação já são levados em consideração.

Para Mário Ceitil, presidente da Associação de Gestão de Pessoas, o que mais motiva os colaboradores é a “autonomia, a tomada de decisões” e de certa forma sentir que o trabalho tem um propósito. Como tal, para manter uma equipa motivada é importante fazer “uma boa gestão das recompensas” perante a obtenção de resultados.

Sílvia Nunes, diretora da Michael Page considera que “a motivação passa muito pelo ambiente de trabalho, pela cultura organizacional, pelo balanço entre a vida profissional e pessoal, pela flexibilidade, pelos benefícios associados ao trabalho e não pelo salário propriamente dito”.

Para a especialista em recursos humanos é isto que os millennials procuram, e reforça “Movimentam-se mais pelo que podem fazer no projeto do que por ser a empresa A, B ou C ou por ganhar mais ou menos 50 euros”, sendo que outros tipos de benefícios podem fazer a diferença.

Para a diretora da recrutadora, “O emprego para a vida é um conceito do qual já quase não se ouve falar. As pessoas não estão agarradas a um emprego, mas a um projeto. Se não corresponder, procuram outro”.

Desenvolvimento vs Reconhecimento

Para Eduarda Ferreira, diretora do departamento de desenvolvimento organizacional da Siscog, eleita a sexta melhor para trabalhar em Portugal, a motivação é “uma luta diária” e deve-se ao facto do “reconhecimento do esforço, do empenho, pela manutenção de canais de comunicação abertos e acolhendo as ideias que a pessoa tem”.

Para o diretor da Hilti, a motivação consegue-se através da definição de “um plano de desenvolvimento de carreira juntamente com os colaboradores, acompanhando-os e reconhecendo o seu esforço e desempenho”. As equipas estarão mais motivadas se os objetivos de cada colaborador estiverem em concordância com os da empresa.

E acrescenta que “O facto de sermos uma das organizações do mundo Hilti com maior índice de compromisso das pessoas, assim como termos sido considerada a empresa mais feliz para trabalhar em Portugal, revela que estamos no bom caminho”

O que mais desmotiva

Mário Ceitil defende que a falta de integridade por parte dos líderes é péssimo para uma equipa, e justifica que “os líderes têm de ser pessoas confiáveis. As pessoas podem aguentar tudo se houver um ambiente de integridade, de confiança. Se houver fantasia, falta de ética, estraga-se o moral e desmorona-se a equipa”. E acrescenta que “um grande líder tem que ser um grande homem, ter grande integridade, capacidade de visão”

Sílvia Nunes enumera alguns factores de desmotivação tais como “o olhar para cima e para os lados e não ver a possibilidade de crescimento e evolução”, “a ausência de noção de um plano de carreira, pois as pessoas gostam de ter objectivos para progredir, e a falta de flexibilidade, a orientação para o trabalho e não para o equilíbrio”.

 

 

Fonte: Diário de Notícias