Segundo uma pesquisa realizada sobre o contágio de um mau colaborador, diz que até os trabalhadores mais honestos são mais propensos a cometer má conduta no local de trabalho, se trabalharem ao lado de uma pessoa desonesta. E se seria bom pensar que os colaboradores honestos persuadissem os colaboradores desonestos a fazerem melhores escolhas, raramente isso acontece.

Pode parece ser mais fácil aprender os comportamentos maus do que os bons entre os colegas de trabalho.

Para os chefes é importante perceber quais são os custos associados a um colaborador problemático que podem ir além dos efeitos diretos das suas ações. Os comportamentos maus espalham-se pelos outros colaboradores devido ao efeito dos pares. Ao subestimar esses comportamentos alguns colaboradores maldosos podem contagiar a empresa de outra forma saudável.

A pesquisa serviu para entender se o mau comportamento é o ou não contagiante. Foram analisados os efeitos dos pares em relação à falta de conduta por parte dos consultores financeiros. Teve por base várias fusões entre empresas de consultoria financeira e cada uma tinha várias áreas.

Através dessas fusões, os consultores financeiros tinham novos colegas de trabalho provenientes de outras áreas e desta forma exponham novas ideias e comportamentos.

Foram recolhidos um conjunto de dados, extraídos dos registos disponíveis para os consultores financeiros. E a falta de conduta foi definida como sendo reclamações de clientes para as quais o consultor financeiro teve que pagar uma liquidação de pelo menos 10.000 dólares. Foram observadas as queixas que ocorriam a cada consultor, bem  como para os colegas de trabalho.

Descobriu-se também, que 37% dos consultores financeiros são mais propensos a cometer uma má conduta se tiverem outro colega que já tenha tido um histórico. O que se conclui que a má conduta tem uma multiplicação de 1.59%, ou seja, em média a má conduta resulta em 0.59% dos casos através do efeito dos pares.

Contudo e ao observar a semelhança dos comportamentos entre colegas de trabalho, não se conseguiu explicar o porquê. Podem comportar-se igualmente devido ao efeito dos pares, em que trabalhadores aprendem comportamentos e normas sociais uns com outros, mas um comportamento semelhante pode eventualmente surgir por enfrentarem os mesmos incentivos ou então porque são mais propensos a fazerem escolhas semelhantes.

O objetivo era entender como os efeitos dos pares contribuem para a propagação da má conduta no trabalho. Comparou-se por isso os consultores financeiros nas diferentes áreas dentro da mesma empresa. Também foram focadas as mudanças dos colegas de trabalho por cada fusão, o que permitiu evitar que os consultores escolhessem os seus colegas. O que resultou no isolamento dos efeitos dos pares.

Também foram realizados testes a consultores onde não se alteravam os supervisores durante a fusão, permitindo atribuir as mudanças no comportamento dos colegas de trabalho com o mesmo rank.

A partir desta amostra restrita, foram encontradas fortes evidências de efeitos de pares, tal como na amostra principal. Os resultados mostraram que independentemente do efeito dos gestores, o comportamento dos colaboradores era afetado pelas ações provenientes dos colegas de trabalho.

Em estudos anteriores foram revelados que os efeitos dos pares são mais fortes entre pessoas da mesma etnia. O efeito desses contágios chega a ser quase duas vezes maior se um consultor está na companhia de um novo colega e partilha histórias de má conduta e se são da mesma etnia. Assim, pessoas que são semelhantes e que provavelmente interagem mais causam efeitos mais fortes sobre os comportamentos dos outros.

Perceber porque colegas de trabalho fazem as mesmas escolhas sobre cometer ou não uma má conduta, pode ajudar os chefes na sua prevenção. O conhecimento e as normas sociais relacionadas à má conduta devem ser transmitidos por canais informais, tais como as interações sociais.

Por isso, entender porque os colegas de trabalho se comportam de maneiras iguais tem as suas implicações importantes, para que seja possível entender como a cultura corporativa surge e para que os gestores possam ir moldando-a.

 

Fonte: HBR