Os portugueses terão de trabalhar mais tempo além dos 64 anos para que o peso da população em idade produtiva fique equilibrado face à população total. A idade da reforma em Portugal passaria para 72 anos ou mais tarde.
Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), a situação de Portugal é especialmente grave. Entre mais de 40 economias estudadas, Portugal é dos países em que a idade da reforma mais tem subido, mas ainda assim este aumento não chega para estabilizar o sistema produtivo nos próximos 20 ou 30 anos.
A OCDE diz que olhar só para a demografia não chega, é preciso ver o que nos diz o outlook de longo prazo para a economia. Neste caso, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita português deve cair 4,9% até 2030, mas o empobrecimento individual médio agrava-se ainda mais se nos estendermos a 2040 ou 2050. Num cenário base, o PIB por habitante cai 11% até 2040 ou 15% até 2050.
Em muitos países, incluindo Portugal, a pressão para trabalhar mais anos é grande, isto porque, segundo estes economistas, a “fertilidade é baixa” e o envelhecimento é um fenómeno cada vez mais forte (maior esperança de vida), tornando as perspetivas de crescimento da economia francamente pobres. Ainda assim, consideram que esta pressão pode ser atenuada, isto passa por tornar a economia muito mais produtiva ou aumentar a participação das mulheres no mercado de trabalho.
Portugal perdeu 134 mil ativos em menos de uma década
De acordo com o Dinheiro Vivo, Portugal perdeu 134 mil pessoas em condições produtivas desde 2011. Embora nos últimos anos tenha havido um ligeiro crescimento económico, percebe-se que a crise anterior (ajustamento da troika e do governo PSD-CDS) afundou drasticamente o número de pessoas em condições ativas até um mínimo de 4883 milhões de pessoas.
A OCDE admite que os governos não têm estado impávidos a esta situação. “O prolongamento das vidas laborais já está a acontecer. As idades efetivas de saída do mercado de trabalho na OCDE aumentaram cerca de 2 anos e meio no caso dos homens e 3 anos no caso das mulheres entre 2000 e 2019”.
A Organização defende que este “prolongamento da idade ativa em seis anos nas próximas três décadas ultrapassaria claramente os ganhos de esperança de vida no mesmo período”, mas admite que há problemas que devem ser acautelados. São precisos esforços por parte das políticas públicas e privadas de forma a incentivar os trabalhadores a prolongarem a sua vida profissional. A organização avisa que são necessários mais “investimentos na segurança financeira e na saúde dos trabalhadores ao longo da vida, bem como nas qualificações e na aprendizagem”.
Fonte: Dinheiro Vivo
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