A pandemia da Covid-19 teve um grande impacto no mercado de trabalho e criou enormes desigualdades, seja entre diferentes grupos demográficos e setores de atividade.
Com a pandemia há menos 99 mil pessoas empregadas e é o grupo da faixa etária mais jovem onde isto mais se nota, sendo mais de 60 mil.
A idade e setores de atividade específicos parecem ser os fatores determinantes, para ficar desempregado.
Saiba mais sobre o impacto no mercado de trabalho, neste capítulo do “Estado da Nação: Educação, Emprego e Competências em Portugal”, da Fundação José Neves.
O impacto da Covid-19 no Emprego e Desemprego
População jovem é a mais afetada
Como referimos anteriormente, o choque pandémico foi mais intenso no emprego dos mais jovens.
A queda da empregabilidade nos quatro trimestres de 2020 (em particular no segundo) foram significativamente mais fortes para os jovens em início de carreira (25-34 anos).
No segundo trimestre de 2020, os mais jovens viram a sua taxa de emprego cair cerca de 5,7% face ao trimestre homólogo de 2019.
Assim, o desemprego jovem voltou a passar a marca dos 10%, o que corresponde a mais de 38 mil pessoas nessa situação.
Qualificação é fator relevante
A variação dos níveis de emprego e desemprego nos quatro trimestres de 2020 revela que um nível de escolaridade mais elevado é um fator muito importante de proteção.
Ou seja, entre os jovens com escolaridade mais elevada, a quebra de emprego e o aumento dos níveis de desemprego durante a crise pandémica foi suavizada.
Assim, a queda da taxa de emprego foi semelhante para os jovens com ensino superior (5,4%) e secundário (5,3%), mas muito mais pronunciada nos que apenas terminaram o ensino básico (-8,5%).
Sectores de risco
Também sectores específicos determinam um maior risco de desemprego, tanto antes quanto durante a pandemia.
“Alojamento, restauração e similares”, tornou-se o setor com risco mais elevado, substituindo o setor da “agricultura, produção animal, caça, florestas, pescas e indústrias extrativas”.

Assim, conclui-se que os principais fatores com maior risco de desemprego são os mesmos antes e durante a pandemia.
Ou seja, ser mais jovem (25-34 anos), ter concluído apenas o ensino básico e trabalhar em alguns setores de atividade específicos.
Como é que a pandemia afetou a oferta de emprego?
O número global de ofertas de emprego são um indicador quase instantâneo dos efeitos da pandemia no emprego, tendo descido.
Assim, a evolução do número de ofertas acompanhou paralelamente os períodos de maior disseminação da pandemia.
O primeiro momento de grande quebra esteve a par do primeiro período de confinamento, bem como um segundo período de quebra continuada aquando o início da segunda vaga de Covid-19.
Com isto é possível concluir neste relatório, que o impacto no mercado de trabalho causado pela Covid-19 assumiu determinados parâmetros.
O risco de ficar desempregado aumentou e a probabilidade de encontrar emprego diminuiu para todos, mas o nível de escolaridade, a idade e o setor, são fatores relevantes.
