A Roche Diagnostics – produtora de testes rápidos de diagnóstico da Covid-19 – é a empresa que acabou com os horários, dando o poder de decisão aos funcionários.

Flexibilidade, no horário e no local de trabalho, é a nova palavra de ordem para os mais de cem colaboradores da companhia que terão agora a responsabilidade de definir o seu horário de trabalho e a partir de que local desempenha as suas funções.

“O trabalho é o que se faz e não onde se está ou quantas horas se passa a fazê-lo. É sobre a produção e a entrega de resultados”, refere Nazli Sahafi, diretora geral da Roche Diagnósticos.

Esta foi uma decisão da filial portuguesa, tendo como objetivo “fazer a transição do equilíbrio trabalho-vida (work life balance) para o equilíbrio vida”.

A diretora geral explica “se um colaborador tiver filhos pequenos pode ser difícil ter reuniões de manhã ou ao final da tarde”, além disso “pode mesmo preferir gerir o seu tempo para poder trabalhar de noite quando as crianças estão a dormir”.

A pandemia e consequentemente o tele-trabalho, colocou à prova o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Recentemente também foi noticiado o caso da Feedzai, que inspirada pela Islândia, avançou com o modelo da semana de quatro dias de trabalho.

Roche Diagnostics – a empresa que acabou com os horários

Então, na Roche Diagnostics a gestão do trabalho passa a ser feita pelo colaborador.

Mas a questão é, será que a ausência de um horários fixo não causará uma maior pressão nas equipas? Ou criar a necessidade de estar sempre disponível e ‘mostrar serviço’?

Segundo Nazli Sahafi, “é definitivamente um desafio e algo que precisamos de aprender: como criar um equilíbrio na vida para não estarmos sentados em frente ao computador durante várias horas seguidas”.

Além disso, a empresa ajuda e apoia os colaboradores através de formação e check-ins regulares, a fim de que possam encontrar o equilíbrio certo.

O local de trabalho também é definido pelo trabalhador

A empresa também não impõe um local de trabalho ao colaborador. Assim, este terá flexibilidade para decidir o que melhor se adapta ao seu trabalho.

Assim, pode escolher trabalhar em casa ou no escritório e “se andar na praia ou fazer exercício faz com que surjam novas ideias, então é para lá que deve ir”, diz a diretora-geral.

“Cada colaborador decide o que é melhor para si. Tem em mente o melhor interesse da empresa ao mesmo tempo que decide onde trabalha de forma mais otimizada”, reforça.

Além disso, a companhia antes da pandemia planeou a implementação de uma instalação organizacional baseada em atividades, para o seu escritório.

A pandemia interrompeu esta estratégia, que será retomada em breve. A ideia é simples: o escritório deve ser tão atraente que as pessoas sentem que querem estar lá.

Maior flexibilidade na contratação

Havendo flexibilidade do local de trabalho, traz ainda flexibilidade também à empresa quanto à contratação, podendo assim recorrer a funcionários fora do país.

O objetivo passa por manter os colaboradores motivados para que cumpram a visão da companhia. O que se traduz em resultados para a empresa e para os doentes com quem trabalha.

“Pessoas felizes e realizadas têm uma maior dedicação para os objetivos da empresa”, defende a diretora.

Fonte: Observador