Portugal está a par da Europa em alguns índices de digitalização das empresas e um pouco acima no uso da Inteligência Artificial, mas longe das Metas Europeias de 2030.

Na pandemia, as empresas portuguesas reforçaram a sua intensidade digital, mas, em 2023 a maioria encontrava-se nos níveis baixo ou médio de digitalização.

São as empresas de maior dimensão que apresentam maior índice de digitalização e isso está associado à produtividade e salários mis elevados.

Estes são dados do relatório do Estado da Nação 2024, da Fundação José Neves, sobre a Educação, Emprego e Competências em Portugal.

Metas Europeias de 2030 para a digitalização das empresas

Reconhecendo o papel central das empresas na digitalização da economia, a União Europeia definiu as seguintes metas para 2030:

  • 75% das empresas europeias devem utilizar tecnologias como computações em nuvem, inteligência artificial e megadados (Bigdata);
  • 90% das PMEs europeias devem atingir pelo menos um nível básico de intensidade digital.

Nível de digitalização e os seus efeitos nas empresas portuguesas

Para perceber o nível de digitalização das empresas portuguesas e a relação dessa digitalização com a produtividade e com os salários aos trabalhadores, construiu-se um índice de digitalização.

Este resume um conjunto de pontos relacionadas com:

  • a qualidade do acesso a redes e à internet por parte da empresa;
  • a presença na internet e o tipo de funcionalidades potenciadas por essa presença;
  • o volume de negócios resultante da presença online;
  • a utilização de software e hardware mais avançado.

O índice é decomposto em três grupos mutuamente exclusivos que categorizam as empresas quanto ao seu nível de digitalização: baixo, médio ou elevado.

Então, quanto maior for o nível de digitalização, mais ampla e avançada é a utilização que a empresa faz das tecnologias digitais.

O setor e a dimensão da empresa são fatores importantes para a intensidade digital

Sector de atividade

É no setor das atividades de informação e de comunicação que se regista uma percentagem maior de empresas com nível elevado de digitalização (58,5%), seguido os setores da energia e gestão de resíduos (58%) e outras atividades de serviços (50,8%).

Em contraste, mais de metade das empresas dos setores do alojamento e restauração, das atividades imobiliárias, da construção e dos transportes e armazenagem, têm um nível baixo de digitalização.

Quanto maior a empresa melhor

Outro fator importante para a intensidade digital é a dimensão da empresa em termos do número de trabalhadores.

Quase 98% das empresas com 250 ou mais trabalhadores estão situadas nos níveis “médio” ou “elevado” do indicador. Já nas empresas de dimensão inferior a 10 trabalhadores, apenas cerca de metade das empresas estão nestes níveis.

A produtividade média aumenta com o nível de digitalização

As empresas de nível “médio” apresentam uma produtividade anual 23,8% superior às empresas de nível “baixo”, o que equivale a mais 4894€.

Já as de nível elevado, têm uma produtividade 43% superior (mais 8825€) às empresas com um nível “baixo”, e 19% superior (mais 3931€) às empresas com um nível “médio”.

Empresas mais digitais pagam salários mais elevados

Quanto maior a produtividade média das empresas, maior a remuneração média paga os trabalhadores.

No entanto, a remuneração média também aumenta com o nível de digitalização, mesmo entre empresas com produtividades semelhantes.

Então, comparando os trabalhadores das empresas de nível “baixo” com os de nível “médio”, estes últimos têm uma remuneração mensal 16,6% superior (mais 1523€ por ano).

Já os trabalhadores de nível “elevado” auferem, em média, um salário 34.0% superior (mais 3120€ por ano) relativamente aos de nível “baixo” e 14,9% superiores (mais 1597€) aos de nível “Médio”.

 

Conclui-se assim que, mesmo entre empresas que têm a mesma produtividade por trabalhador, as que têm um maior nível de digitalização tendem a pagar salários superiores aos seus trabalhadores.