Se alguma vez foi despedido ou foi-lhe pedido que se demita, é provável que este seja um assunto que não lhe agrada comentar, especialmente com o seu potencial empregador durante as entrevistas de emprego.

Mas se existirem algumas falhas no seu currículo, acredite que será questionado pelos recrutadores sobre esse assunto, e poderá ser desconfortável.

«Os recrutadores estão tão frequentemente submersos em candidaturas, que estão programados para utilizarem um processo de eliminação»

– Lynn Taylor, autora de “Tame Your Terrible Office Tyrant”

A autora defende ainda que as questões que abordam esta temática são as mais usadas para cortarem candidatos. Além disso, afirma que os recrutadores pretendem muitas vezes determinar quatro detalhes:

«É um bom investimento?» – Os recrutadores não esperam que responda «Não» a esta questão – a não ser que esteja no início da sua carreira.

Neste momento, os recrutadores estão a montar a informação que o torna um bom e mau investimento para a empresa. Por exemplo, será que os despedimentos mostram algum tipo de padrão ou problema? Será que as razões que levaram ao seu despedimento são algo que a empresa teme, tendo em conta que pode ser algo que o levem a não ser o mais qualificado para o cargo em questão?

«Como lida com a adversidade?» – O recrutador também está a tentar determinar se é capaz de lidar com os contratempos e seguir em frente. Ninguém é imune aos desafios do trabalho, daí ser um ponto de partida para a empresa perceber como você vê as suas experiências negativas, se como falhanços ou oportunidades de aprendizagem.

«A sua resposta em tempo real à pressão» – Torna-se defensivo ou aborrecido quando é questionado sobre este tema? Ou será que se enche de confiança quando responde?

Esta questão permite ao recrutador avaliar como encara o stress em tempo real, sendo um ponto de partida para perceber como lida com os desafios de trabalho.

«Quão honesto é?» – Esta é uma daquelas questões que testam a sua autenticidade. Recrutadores com uma vasta experiência de campo conseguem ler as expressões dos entrevistados. Eles têm em consideração o tempo que demora a responder e a sua linguagem corporal perante esta questão e se aborda uma atitude vaga, evasiva ou honesta.

O seu comportamento revela muito mais do que a sua resposta à questão.

Agora que tem conhecimento das intenções que algumas questões escondem, aprenda como lidar e se preparar para responder a questões deste género.

Seja honesto

A maioria das pessoas lida com pelo menos um despedimento na sua carreira profissional, e nem sempre é resultado de um mau desempenho. Existem reestruturações, alterações nas estratégias das empresas, perdas financeiras, outsourcing, conflito na perspetiva de trabalho, e muitas outras razões que podem levar ao despedimento de um trabalhador.

O melhor é ser honesto, sem arrastar o assunto. Não é necessário escrever um livro sobre o seu despedimento, mas caso seja apanhado na sua desonestidade, isso será muito mais destrutivo do que admitir a verdadeira razão do despedimento.

Seja conciso

Alguns recrutadores tentam não arrastar esse assunto. Uma versão curta do sucedido é suficiente, ainda que lhe possa ser pedido para elaborar esse assunto.

Mostre o que aprendeu com a situação

A chave para ultrapassar esta questão é resumir o que aprendeu com o sucedido, não falar apenas do que aconteceu.

Este é um dos objetivos primários que os recrutadores possuem quando o questionam sobre isto, por isso demonstre as lições positivas que retirou da situação.

Isto também demonstra ao recrutador que tem a capacidade de fazer uma autorreflexão, o que acaba por levar ao interesse dos mesmos em melhorar o seu desenvolvimento pessoal.

Não culpe os outros – e permaneça otimista

Acredite que não quer cair no erro de falar mal ou culpar os seus anteriores superiores sobre o que se passou.

Os recrutadores estarão bastante atentos se o que descreve é um conflito interpessoal – um fator sensível no recrutamento de pessoal.

Uma das melhores formas de lidar com esta questão é explicar, independentemente dos diferentes objetivos ou incompatibilidades que foram ocorrendo durante o tempo que exerceu o cargo anterior, que gosto da experiência e que aprendeu bastante com a mesma.

Pense antes de responder

Esta é uma questão que vale a pena planear e estudar. Comprometa-se a escrevê-la e a ensaiá-la, idealmente com alguém.

Não vai querer ser apanhado desprevenido e deitar tudo a perder ao responder a esta questão no calor do momento – ou ficar bloqueado com o pânico.

 

Fonte: Business Insider