taxa desemprego 31-07-2015

A taxa de desemprego no passado mês de Junho situou-se em 12,4%, mantendo-se inalterada em relação ao mês de Maio de 2015, revelou esta quinta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Este torna-se agora o valor mais baixo desde Julho de 2011, data do início da execução do programa da troika, facto que trouxe alguma polémica.

Nestas estimativas foi considerada a população dos 15 aos 74 anos e os valores foram previamente ajustados da sazonalidade.

Há um mês, o INE revelou que a estimativa provisória da taxa de desemprego em Maio estava na ordem dos 13,2%, mas, na informação enviada às redacções da comunicação social esta quinta-feira, o INE revela agora que a estimativa definitiva para Maio é 12,4%, menos 0,8 pontos percentuais, exactamente o mesmo valor apontado para o mês de Junho.

A taxa de desemprego dos jovens situou-se em 31,6%, tendo aumentado 0,5% relativamente ao mês de Maio. Já a taxa de desemprego dos adultos ficou em 11,0%, mantendo-se igual em relação ao mês anterior.

Número de beneficiários de subsídios de desemprego em mínimos de 2003

O número de beneficiários de apoios em situação de desemprego também caiu em Junho, para 266.907 pessoas, um número apenas comparável a Novembro de 2003.

O maior número destes beneficiários é do Porto (57.385), seguindo-se Lisboa (55.926), Setúbal (22.891) e Braga (21.627).

Reacções positivas

Ao saber os números divulgados pelo INE, o Ministro da Economia, Pires de Lima, em conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros, mostrou-se satisfeito com os últimos dados.

O Ministro recordou que, desde Janeiro de 2013 até Maio deste ano, foram criados 202 mil postos de trabalho, um número que pensa ser um “motivo de esperança”.

Para além disso, salientou que o sector privado e as empresas são, na sua opinião, “as grandes responsáveis” por este momento. “Creio que é importante felicitar as empresas, o sector privado, os responsáveis por este momento”, reforçou.

Pires de Lima recordou também que cerca de um terço dos postos de trabalho criados desde Janeiro de 2013 foram criados através de estágios profissionais criados pelas empresas, com o apoio do IEFP. Mas estes, “não são estágios artificiais”, garantiu, dizendo que 70% dos estagiários conseguem arranjar emprego na empresa onde estagiaram ou numa empresa do mesmo sector até dois meses depois do estágio.

O governante considera que a taxa de desemprego ainda é elevada, mas a economia portuguesa “está no caminho certo”.

Também o Ministro da Solidariedade Emprego e Segurança Social, Mota Soares, considera que os dados do desemprego demonstram que “Portugal deu a volta”, ao atingir uma taxa de desemprego inferior à registada em 2011, quando o Governo assumiu funções.

 

CGTP  e BE refutam os números

Arménio Carlos, por seu lado, diz que para além dos números do desemprego “há que ter consciência que a maior parte do emprego que está a ser criado é precário e que a precariedade continua a ser uma antecâmara do desemprego”.

O sindicalista considera que uma parte dos trabalhadores que agora foram contratados corre o risco de voltar novamente ao desemprego ou de ser inserido em programas de estágios daqui a poucos meses, quando terminar esta época de sazonalidade, o que na sua opinião, serve para manipular as estatísticas do desemprego.

 

Já Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, afirma que as estatísticas oficiais do desemprego “não traduzem toda a realidade”.

Segundo a deputada, os estágios, formações, as pessoas que desistiram de procurar emprego porque não conseguiam, ou a emigração, fazem com que muitas pessoas saiam das estatísticas. Na sua opinião, a taxa de desemprego em Portugal não é 12,4%, mas sim de 25%”, se todas essas pessoas forem também contabilizadas.