Até que ponto acredita que o seu trabalho pode ser afetado pela globalização ou pelas mudanças tecnológicas? Quanto tempo dedica no desenvolvimento de novas competências, entre elas, tecnológicas? Quais serão as competências mais importantes no futuro? Quer se manter competitivo no mercado de trabalho? Um estudo realizado com 197 países vem responder a estas e outras questões.

O Global Talent: Decoding Global Trends in Upskilling and Reskilling é um projeto desenvolvido em parceria com o Boston Consulting Group (BCG) com o objetivo de compreender duas mega-tendências – as mudanças tecnológicas e a globalização e as duas possíveis reações perante as mesmas. Uma das reações é a predisposição das pessoas em adotar novas competências para o cargo que estão atualmente a desempenhar – denominada como upskilling. A outra reação é a predisposição para adquirir novas competências para um emprego completamente diferente – denominada como reskilling.

O projeto contou com a participação de 366 000 inquiridos de 197 países, no qual é possível segmentar com base no emprego, indústria e geograficamente. O objetivo passa por entender o impacto da globalização e da tecnologia no mercado de trabalho e na determinação em se manter competitivo.

Leia o artigo e conheça as conclusões que foi possível retirar deste projeto.

No que se foca este relatório?

Uma análise aos dados obtidos veio apresentar seis questões de grande foco:

  1. Até que ponto acredita que o seu trabalho possa ser afetado pela globalização?
  2. Até que ponto acredita que o seu trabalho possa ser afetado pela tecnologia? (ex.: automatização, inteligência artificial, etc.)
  3. Quanto tempo dedica no desenvolvimento e solidificação das suas competências?
  4. Que recursos utiliza para desenvolver e solidificar as suas competências?
  5. No seu cargo, quais serão as competências mais importantes no futuro?
  6. Estaria disposto a se qualificar para um emprego diferente para se manter competitivo?

Que insights se retiram deste relatório?

Através de uma análise aos dados obtidos, foi possível verificar que 61% dos inquiridos acredita que o seu emprego será seriamente afetado pelas grandes tendências. É também possível observar que Portugal faz parte dos países cujo mais de 75% dos inquiridos acredita firmemente que estas grandes tendências irão ter um grande peso nos seus empregos.

Entre as duas tendências, 49% afirma que a tecnologia terá um maior impacto no seu emprego do que a globalização, enquanto que 45% acredita no oposto.

Em relação ao desenvolvimento de novas competências ou a solidificação das suas competências atuais, verificou-se que quase 64% dos inquiridos dedicam imenso tempo na aprendizagem de novas competências. Foi também possível observar que os inquiridos preferem aprender no seu emprego, no entanto outras formas de aprendizagem não tradicionais como educação online ou aplicações também são um método popular (45%).

Mais detalhadamente, no gráfico acima é possível verificar as diferentes percentagens obtidas entre as duas mega-tendências a um nível global. Em termos de média global, 49% dos inquiridos acredita que as alterações tecnológicas terão um grande impacto no seu emprego e 45% afirma que a globalização terá um maior impacto no seu trabalho. Apesar da média global não chegar aos 50% o Brasil alcança uma diferença superior percentual de 16% em relação à média global do impacto da tecnologia e a Nigéria alcança quase 30% de diferença em relação ao impacto da globalização.

Que competências futuras serão importantes para alcançar sucesso?

Quando questionados sobre as competências futuras que são necessárias para se ter sucesso, observou-se o seguinte:

  1. Comunicação
  2. Competências Analíticas
  3. Capacidade de Liderança
  4. Capacidade de Resolução de Problemas

Contudo, existem diferenças quando este aspeto é analisado a nível geográfico (países/regiões). Na Argentina, México e França, a adaptação é eleita como a competência mais importante no futuro. Na China e na Argentina, a inteligência emocional está num ranking superior em relação a outros países. O pensamento crítico é relativamente mais alto na América do Norte do que nos restantes países. Já as competências analíticas são bastante priorizadas nos países asiáticos.

Aposta em novas competências?

Aliado à preferência de desenvolver competências no seu emprego, mais da maioria dos inquiridos, 67%, está disposta a qualificar-se em novas competências para um novo emprego. Contudo, existem diferenças significativas a nível de:

  • Cargos: os candidatos da área de Vendas, Administração e Prestação de Serviços estão mais dispostos (>70%), do que os candidatos da área Jurídica, IT e Ciências (<60%);
  • Regiões e Países: América Latina está mais disposta a adquirir novas competências (84%) do que Europa (<63%);
  • Educação: Candidatos com mais formação estão menos dispostos a adquirir novas competências – devido, muito provavelmente, ao tempo investido para aprender as suas competências atuais;
  • Idade: pessoas mais velhas estão menos predispostas (59%) a mudar de emprego do que a média;

O papel do governo e das empresas

Ainda que a maioria dos inquiridos esteja pronto para a requalificação e aperfeiçoamento das suas capacidades, o governo e os empregadores devem ter um papel ativo em fechar as lacunas.

  • Empregadores: devem preparar uma previsão estratégica das capacidades necessárias, lançar programas focados em up-skilling, lançar novas tecnologias de aprendizagem, construir uma cultura de aprendizagem e tomar ação na expansão deste ensinamento.
  • Governo: deve também preparar um plano estratégico da força de trabalho e um mapa de capacidades, intervir ativamente de modo a diminuir a incompatibilidade de capacidades, fornecer incentivos a empregadores e trabalhadores e desregular a mobilidade relacionada com o trabalho.

 

Está a recrutar internacionalmente? A parceria entre o Alerta Emprego e o The Network veio permitir às empresas uma abordagem mais eficaz e eficiente, assim como um alcance maior. Saiba como as suas estratégias e abordagens beneficiam desta parceria aqui.

 

Fonte: Estudo de mercado realizado por The Network em parceria com Boston Consulting Group (BCG)