Nos relatórios anteriores do Global Talent Survey 2021, mostrámos-lhe que Portugal subiu no ranking dos países mais atrativos para trabalhar e qual o impacto da Covid-19 no mercado de trabalho em Portugal. Agora, conheça os empregos em risco e a aposta na requalificação.

O Global Talent Survey é a análise ao mercado de trabalho em 190 países, realizado pelo The Network – rede internacional de portais de emprego – em parceria com o Boston Consulting Group.

Relembramos ainda que para esta análise foi inquiridos 208.807 mil participantes, dos quais 1213 são de Portugal.

Alerta Emprego, como parceiro do The Network no país, apresenta-lhe os resultados do terceiro – e último – relatório.

O impacto da Covid-19 no emprego em Portugal

Neste tempo de pandemia que vivemos, em Portugal quase metade dos inquiridos (48%) afirmou não ter tido mudança no seu trabalho ou tenha ocupado uma posição diferente.

Uma minoria, de 9%, afirmou ter tido um aumento de trabalho. Enquanto 43% viu o seu trabalho reduzido ou mesmo suprimido (demissão).

A maioria das pessoas com ensino médio, são quem mais sofreu o impacto da Covid-19 no emprego, tendo sido demitidas ou o seu tempo de trabalho ter sido reduzido.

Já por idade, a parte mais atingida pela pandemia no emprego, foi a população mais jovem, nomeadamente menores de 20 anos.

Que funções e indústrias foram mais afetadas?

Artes e Trabalhos Criativos, 100% das respostas afirmam que foi uma área bastante afetada, tendo havido despedimentos e redução do trabalho. Bem como em Assistência Social, em que a demissão assume a totalidade das respostas.

Então, não sendo novidade, a nível de função, a Ciência e Pesquisa não sofreu grande impacto e por Indústria foi o sector ligado ao Turismo o mais afetado.

A automação do trabalho

Com a atual situação pandémica os modos de trabalho alteraram-se e com isto, a automação em algumas funções ficou mais propícia, ainda assim não é algo que preocupe os inquiridos.

Ainda assim, há quem tome a automação como um risco. Por nível de educação, o maior número é entre pessoas com a escolaridade máxima do Ensino Médio e por idade, mais uma vez o grupo jovem assume a maioria das respostas.

O risco de automação é assumido por mais de 50% dos inquiridos em áreas como: Digitalização & Automação, Artes & Trabalho Criativo e Marketing e Comunicação.

Na Indústria dos Seguros e Juríica, existe também uma preocupação para este processo.

 

80% dos portugueses diz sim à aposta na requalificação

Apostar na requalificação, noutra área que não a sua, é por esta altura algo ponderado pela quase totalidade dos portugueses inquiridos neste estudo.

Foram 80%, nomeadamente com Doutoramento, que assumiram que isto poderia fazer parte dos seus planos. Apenas 1% não deseja apostar na requalificação e 19% faria se necessário.

Em termos de idades, não se nota grandes diferenças entre os escalões etários. Ainda assim, a maioria que pondera aposta na requalificação, tem entre 31 a 40 anos.

E esta aposta vê-se mais em que sectores? Inquiridos de áreas de Digitalização e Automação, Trabalho Manuais & Manufatura e Ciência e Pesquisa, afirmam em 100% que a requalificação é uma aposta.

Como pode verificar nos gráficos apresentados em baixo, em nenhuma Função ou Indústria, o valor de pessoas que se requalificariam fica abaixo de metade (50%).

Então, concluímos que a maioria dos entrevistados estão dispostos a repensar numa função de trabalho completamente diferente para se manterem competitivos.

Em Portugal gasta-se tempo com a formação?

A resposta é Sim, mais de metade dos entrevistados – 63% – diz gastar significativamente algum do seu tempo para formação. 32% diz despender algum tempo e apenas 4% nenhum.

Isto quer dizer que, a maior parte dos portugueses, investe cerca de algumas semanas ou meses, por ano, na sua formação.

E, neste campo, a maioria nota-se em pessoas sem qualquer educação formal, assumindo 100% das respostas e a maioria com menos de 21 anos. Além destes, também Doutorados apostam bastante na sua formação.

Artes & Trabalho Criativo mantém-se na liderança, sendo quem mais aposta na formação, no fim da tabela estão os Recursos Humanos.

Relativamente à Industria, é no sector da Energia que esta aposta é maior e aqui vemos o sector dos Seguros a descer à última posição, ao contrário da aposta na requalificação.

Os recursos que são mais utilizados para desenvolver competências

Em Portugal, a formação é feita na maioria em contexto de trabalho, veja os valores percentuais e recursos:

  • 64% – Formação no trabalho;
  • 54% – Estudo independente;
  • 49% – Instituições de Educação Online
  • 48% – Instituições de Educação tradicionais
  • 40% – Conferências e Seminários
  • 34% – Aplicação de telemóvel
  • 10% – Programas Governamentais.

 

Estes são os resultados do último relatório do Global Talent Survey 2021.

A atual pandemia alterou o panorama do Mercado de Trabalho por todo o Mundo, mas é altura de pensar no futuro e talvez possa ser a aposta na requalificação um dos pontos interessantes nas carreiras.

Veja aqui o terceiro relatório completo.