A educação não é garantia de emprego – e de qualidade – mas o tipo de formação influencia na garantia de emprego? Este é o tema de mais um capítulo do Estado da Nação: Educação, Emprego e Competências em Portugal, da Fundação José Neves.

A educação protege a situação dos jovens no mercado de trabalho em situações de crise económica (em 2020 voltámos a ver isso), tendo esta faixa etária sofrido uma queda menor.

No entanto, e apesar do ganho de empregabilidade, uma grande parte dos diplomados do ensino superior têm empregos que não exigem este nível de ensino, o que se traduz numa perda económica e social.

A inserção no mercado de trabalho

A taxa de emprego entre os jovens dos 20 aos 34 anos com grau de ensino superior é mais elevada.

Em 2019, 80,6% dos que terminaram o ensino superior nos últimos 3 anos estavam empregados, já para o mesmo período, quem terminou o ensino secundário perfazia os 73,5%.

O momento de transição para o mercado de trabalho após a conclusão dos estudos é relevante porque influencia a carreira profissional futura.

No entanto, nota-se uma diferença entre quem termina o ensino secundário pela via geral (cursos científico-humanísticos) ou por via profissional (cursos profissionais). Esta última, permite uma melhor inserção no mercado de trabalho

Mulheres em vantagem na transição para o mercado de trabalho

A vantagem do ensino superior face ao secundário na transição para o mercado de trabalho é superior nas mulheres.

Em 2019, a taxa de emprego das mulheres que terminaram o ensino superior nos últimos 3 anos era cerca de 18% superior à das que terminaram o ensino secundário. No sexo masculino a diferença não chegava aos 5%.

Formação superior garante mais emprego e difere entre áreas

No início da década, a taxa de desemprego entre os recém-formados aumentou consideravelmente. Assim, em 2012 os números do desemprego jovem rondavam os 30%.

Mantendo-se em valores baixos em 2019, esta taxa continuava a ser mais baixa para formados no ensino superior. O que comprova que a formação superior garante mais emprego.

Neste ano, também a probabilidade de desemprego após terminar o curso era maior para mulheres do que para homens, comparando ensino superior com ensino secundário.

O risco de desemprego difere entre áreas de estudo

Então, ter formação superior continua a dar maior proteção contra o desemprego, quando comparado ao ensino secundário. No entanto, existem diferenças significativas entre áreas de estudo.

Existem algumas áreas a apresentarem o dobro do risco de desemprego face às restantes. Assim, em 2019 cursos de áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática apresentavam maior probabilidade de desemprego.

Então, o desemprego foi menor entre os diplomados da área de Ciências naturais, matemática e estatística. Em contrapartida, o risco de desemprego era superior nas áreas de Serviços, Agricultura, Silvicultura, Pescas e Ciências Veterinárias, e principalmente nas áreas de Ciências Empresariais, Administração e Direito, Artes e humanidades e Ciências Sociais, Jornalismo e Informação.

Mais formação não significa qualidade de emprego

Muitos diplomados do ensino superior trabalham em ocupações pouco qualificadas.

Apesar da maior empregabilidade associada ao ensino superior, a maioria não trabalha nestas áreas, mas sim em empregos que requerem um nível de educação inferior ao adquirido.

A isto associa-se uma perda económica, decorrente da subutilização de competências adquiridas, mas também ao nível social e psicológico resultante de menor motivação e satisfação com o trabalho, e respetiva perda de produtividade.

Em Portugal, cerca de 15% dos diplomados do ensino superior com idade entre os 25 e 64 anos que se encontram empregados, trabalham em profissões que não exigem este nível de formação.

Este valor tem vindo a aumentar ligeiramente ao longo da década e é consistentemente mais baixo entre os homens, que têm empregos mais ajustados ao seu nível de educação.

Mais educação é sinónimo de melhor salário

Mais escolaridade está sempre associada a um salário superior. Assim, isto revela que a educação, em termos salariais, compensa.

De forma geral, o salário associado a maior escolaridade é menor para os trabalhadores mais jovens, também devido à pouca experiência.

No entanto, os jovens têm ganhos salariais superiores à generalidade da população nos cursos de pós-secundário e nos mestrados.

Então, os salários dos mais formados tem diminuído ao longo dos anos, mas hoje compensa mais tirar um curso pós-secundário e um mestrado.

Entre 2010 e 2018, independentemente do nível de escolaridade, os salários da população mais jovem diminuíram. Esta queda foi menor para os que não passaram do ensino básico.

Além disso, independentemente do nível de ensino, o salário dos homens é mais elevado quando comparado com o das mulheres.

 

Então, a educação compensa mas nem sempre garante emprego e de qualidade.

O ensino superior continua a conferir uma proteção maior contra situações de desemprego quando comparado ao ensino secundário.

Pode ainda consultar outros capítulos do estudo, sobre o aumento, envelhecimento e qualificação do emprego e as qualificações dos portugueses relativamente à Europa.

Fonte: Fundação José Neves