Mulheres em tele-trabalho

As mulheres enfrentam desafios únicos na sua carreira que se podem agravar em tele-trabalho. No entanto, há pequenos gestos que podem ajudá-las nesta fase.

Ainda que o tele-trabalho tenha sido uma das opções mais viáveis num panorama pandémico, a verdade é que foram muitas as queixas de mães e pais que não conseguiam ser produtivos em tele-trabalho.

A razão? Porque ao mesmo tempo tinham que cuidar da família (filhos e/ou familiares dependentes). Principalmente, quando envolve acompanhar os filhos nos deveres escolares ou, simplesmente, manter os mais novos entretidos e distantes do computador para conseguirem trabalhar.

Este objetivo tornou-se especialmente mais duro para as mães em tele-trabalho, que em alguns estudos trabalhavam mais 20 horas por semana. Isto em comparação com os pais em circunstâncias similares. Para muitas mulheres, não é o tele-trabalho o problema, mas sim realizar este regime com toda a família em casa.

Foi a pensar neste questão que a Harvard Business Review publicou um artigo sobre a forma como os homens podem apoiar as colegas, mesmo à distância. Neste artigo vamos apresentar algumas dicas que podem fazer toda a diferença.

1. Garanta que as mulheres são ouvidas nas reuniões

Nas mulheres, há a tendência de seguir a regra de que só se fala quando os outros se calam, que contrasta com a reação dos homens que começam a falar por cima de outra voz.

No contexto de reuniões virtuais, intervir numa discussão ou numa apresentação a um cliente pode tornar-se ainda mais desafiante para as mulheres. Uma boa forma de garantir que existe espaço para todos é passar a palavra. Exemplificando:

“Esta é a minha opinião, mas acredito que a Maria pode acrescentar algo pois tem mais experiência neste campo”

Por outro lado, também pode optar por interromper os outros pares masculinos para integrar uma colega que pode contribuir para uma discussão, mas que se mantém em silêncio.

“A Mafalda costuma ter uma perspetiva diferente sobre este assunto. Vamos dar-lhe espaço para dar o seu contributo.”

2. Integre e apoie as mulheres

É muito comum as mulheres não se sentirem integradas em ambientes demasiado masculinos. Ainda que sintam o seu trabalho valorizado, a sua opinião não é habitualmente solicitada, nem são desafiadas a participar nas discussões.

O tele-trabalho pode influenciar de forma negativa esta sensação de não pertença ao grupo. Principalmente pelo efeito do isolamento em criar incertezas sobre as oportunidades de progressão de carreira.

De forma a evitar estes sentimentos, os homens podem garantir que as mulheres estão à vontade para falar com os seus superiores sempre que tiverem necessidade. É importante praticar o equivalente a uma política de portas abertas aplicada ao tele-trabalho.

Além disso, os homens devem apoiar e promover as mulheres mais talentosas das suas equipas. Poucos o fazem, mas este é um gesto que pode dar um grande ajuda na carreira. Não estamos a falar de “meter cunhas” ou “pedir favores” para um amiga, mas sim de sugerir uma mulher para um projeto ou promoção quando se sabe que ela tem as competênicas para tal.

3. Seja transparente

Se em circunstâncias normais, a informação tem muita dificuldade em chegar às mulheres (isto quando chega), em tele-trabalho as mulheres ficam ainda mais de fora.

Durante o confinamento, muitos empregados queixaram-se de não terem recebido informações sobre os negócios que se concretizaram e os que perderam. Também não foram informados sobre os movimentos de pessoal e de decisões sobre os RH, nem de oportunidades de promoção, formação ou mesmo de alteração nos benefícios.

E o desconhecimento do que se passa numa empresa é um fator de grande peso que gera insatisfação e insegurança.

O tele-trabalho implica cuidados redobrados na comunicação para que a informação chegue a todos. Se estas estiverem a ser transmitidas em reuniões virtuais ou emails, é imperativo garantir que todos estão incluídos.

Opte por um almoço ou reuniões virtuais mais informais para debater temas e permitir que todos fiquem devidamente esclarecidos.

4. Distribua uniformemente o trabalho “invisível”

Está provado que as mulheres se voluntariam mais facilmente para realizar tarefas onde não são habitualmente valorizadas e que acabam por as assumir muito mais vezes que os homens.

Assim sendo, é importante garantir que estas tarefas são uniformemente distribuidas por todos e não sempre aos mesmos. Quando uma mulher se propõe fazer uma vez mais a ata da reunião, evite que tal aconteça, pois sabe que isso implica uma menor participação na discussão.

A melhor forma é criar uma escala para estas tarefas necessárias, mas “invisíveis”, poupando perdas de tempo a decidir quem faz o quê e quando e garantido que todos, mulheres e homens, serão convocados a fazê-las.

 

Fonte: Executiva

 

Saiba Mais:

Ainda num contexto pandémico, e apesar de ser condenado por lei, existem empresas que estão a recusar contratar mulheres devido à Covid-19.

A criação de oportunidades para as mães trabalhadoras devia ser um dos focos de todas as empresas, pequenas, médias e grandes! Portanto, de que forma as pequenas empresas as podem ajudar?

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